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sexta-feira, 17 de abril de 2009

BEATRIZ COSTA


"Não sei se o Dezembro de 1907 corria invernoso e frio ou se a Primavera se antecipou, desejoso de florir o meu nascimento…"Beatriz da Conceição Costa nasceu a 14 de Dezembro de 1907 no lugar da Charneca do Milharado, no Casal Barreiro, concelho de Mafra e baptizada no Orago de S. Miguel.Filha primogénita de pais portugueses vai aos 4 anos de idade com a sua mãe para Lisboa, que viria a trabalhar em casa de José Malhoa e que depois passou a costurar no Casão.Após segunda união matrimonial da mãe com um oficial inferior que pertencia ao quinze de Tomar, a família de Beatriz muda-se para esta localidade e aí permanece durante 6 anos (tempo em que acompanha o padrasto nas suas funções de carreira de tiro, perto do prado, e tem as sua primeiras surpresas do cinema).Regressa a Lisboa e residiria, por pouco tempo, no Castelo, por motivos profissionais do seu padrasto, vindo a fixar residência na parte nova da cidade, perto da Avenida.
Foi ajuntadeira, trabalhando em casa, mas optaria pela profissão de bordadeira.Espectadora entusiasta do teatro ligeiro popular teve como primeiro ídolo Lina Demoel e deixa-se absorver pelo sonho de vir a pisar os palcos do Parque Mayer, de se envolver pelo ambiente dos bastidores e de ouvir a crepitação das palmas. É então que família resolve dar-lhe a experimentar o teatro de revista.Obteve a recomendação por intermédio de Fernando Pereira, cliente e amigo de um cabeleireiro vizinho de seu padrasto, que intercedeu por ela junto de Ema de Oliveira que se prontificou a escrever um bilhete de apresentação a António de Macedo, empresário, nessa altura, do Éden.Estreou-se como corista aos 15 anos na revista reposta "Chá e Torradas" (1923) no Éden e seguiu em tournée para o Alentejo e Algarve e viria a ser crismada com o nome de Beatriz Costa por Luís Galhardo.A 22 de Julho de 1924 participa na revista "Rés Vés" , no Teatro Maria Vitória e, dado o agrado da sua actuação, António de Macedo ensaia-la-ía no Teatro Avenida para um númerozinho que a "elevaria de posto".Na manhã de 24/07/24, com 16 anos e meio, embarca no "Lutelia" com a Companhia para o Brasil e lá permaneceu até 1926. A bordo do navio foi repescada para cantar o número "Mademoiselle Garoto", o qual trisou (António de Macedo estava convicto da sua nova actriz).O êxito foi crescendo em revistas e operetas como "Piparote", "Disparate", "Aqui D'el Rei", "31", "De Capote e Lenço", "Tim Tim por Tim Tim", "O Gato Preto", "As 11 Mil Virgens", "Rataplan", etc.Com estreia a 12 de Agosto de 1924 no Teatro República, no Rio de Janeiro, contou com alguns papéis destacados na revista "Fado Corrido" onde cantou com igual êxito "Mademoiselle Garoto" e foi felicitada pela imprensa e pelos espectadores. Na segunda revista, "Tiro ao Alvo", estava já encarregada de quatro ou cinco papéis.Regressa a Lisboa já em lugar de destaque ao lado de Nascimento Fernandes em "Ditosa Pátria" , no Trindade, a 7 de Julho de 1925.A 11 de Agosto de 1925 a Companhia do Trindade segue para o Porto apresentando-se no Sá da Bandeira e Beatriz faz a sua primeira ida como artista à cidade invicta.De novo em Lisboa, em fins de Outubro de 1925, fazia parte da Companhia portuguesa de operetas organizada no S.Luís e enfileirou modestamente nos grupos de coristas e toma parte em várias zarzuelas: "A Monteria"; "A Canção do Olvidio"; "Os Gaviões"; "A Flor do Tejo"; e, em 1926, "A Moça de Campanilhas" e "O Pobre Valbuena".De regresso à revista, passa pelos teatros "Joaquim de Almeida", "Éden" e "Maria Vitória" nas revistas "Fox Trot" , "Malmequer", "Olarila" , "Revista de Lisboa" e "Sete e meio".Em 1927, e a traduzir uma moda cinéfila aparece pela primeira vez de franja e estreia-se no cinema em papéis episódicos de filmes de Rino Lupo - "O Diabo em Lisboa" - e, ainda no mesmo ano, havia dançado um tango em "Fátima Milagrosa" (do mesmo realizador) ao lado de Manoel de Oliveira.Passou pelo "Mártir do Calvário" e pela revista "Água Fresca" no Apollo e depois por "Coração Português" e "Mãe Eva" com Eva Stachino. Transferindo-se com a Companhia de Eva Stachino para o Trindade, ali se estreou em "Pó de Maio" , onde conheceu o maior êxito da popularidade com o celebrado número "D. Chica e Sr. Pires" ao lado de Álvaro Pereira. A confirmação desse êxito viria com "Manda Quem Pode".Na sua segunda tournée ao Brasil (1929), com a Companhia de Eva Stachino, ao Rio de Janeiro, foi recebida sobre as mais efusivas manifestações e relembrada a sua revelação como actriz nos grandes órgãos de imprensa da América do Sul. Em palcos brasileiros, a Companhia portuguesa de revistas apresentou-se a 19 de Setembro no "Lírico" com a revista de abertura "Pó de Maio" e com "Lua de Mel" como segundo espectáculo; e depois viriam, entre outras, "Meia Noite" , "Carapinhada" e "Mouraria". Após breve excursão aos palcos de S. Paulo, Beatriz é convidada por Procópio Ferreira, comediante de indisputável relevo no teatro brasileiro, para ficar a trabalhar no Rio de Janeiro integrando o elenco da sua Companhia de comédias; mas a proposta seria recusada.De volta ao continente, e ainda neste ano, Beatriz Costa aparece no documentário "Memória de uma Actriz" (com base nos artigos que já escrevia para "O Século" a contar episódios pícaros da sua carreira).Em 1930 era a vez de participar no filme "Lisboa, Crónica Anedótica" de Leitão de Barros.Experimentou a comédia ligeira com êxito marcado, estreando-se em "A Estrela da Avenida" e prosseguindo com "A Garota da Sorte".Em Dezembro de 1930, durante a visita de Ressano Garcia, gerente da Paramount em Lisboa, recebe um convite de Blumenthal e San Martin para um contrato muito vantajoso para o papel da protagonista de "A Minha Noite de Núpcias" (da versão original "Her Wedding Night" de Frank Tuttle e que na versão portuguesa foi dirigida por Alberto Cavalcanti), o terceiro fonofilme em português a realizar nos estúdios de Joinville.A curiosidade de uma viagem e de filmar imediatamente em Paris fê-la assinar o contrato no dia 23 de Janeiro de 1931.Recebendo sempre provas de apreço desde o pessoal dos estúdios à mais considerada vedeta destaca das suas colegas estrangeiras Olga Tsehekova e Camila Horn.Deixa a Companhia e é contratada por Corina Freire para participar nos êxitos de revistas como "A Bola", "Pato Marreco", "O Mexilhão" , "Pirilau" ou "Chá da Parreira".Vai para o Porto trabalhar no teatro.Numa ida a Espanha, a convite da Casa da Imprensa de Badajoz para uma festa, no Teatro Lopez Ayola, obteve estrondoso êxito ao representar "Burrié" e foi homenageada juntamente com os outros artistas portugueses que a acompanhavam (Amarante e Nascimento Fernandes).Em 1933 a sua imagem perenizava-se n' "A Canção de Lisboa" e em 1936, aquando a lendária revista "Arre Burro", faz parte do elenco de "O Trevo de Quatro Folhas" , dirigido por Chianca de Garcia.Em 1937 a Beatriz ganha ao lado de Vasco Santana os votos de preferência dos cinéfilos portugueses e são eleitos "príncipes do cinema português".
Entre novas revistas até ao fim da década, contaram-se "Há festa na Mouraria" (1937), "Sempre em Pé" (1938), "É Real" (1939); e ao cinema voltou para "A Aldeia da Roupa Branca" (1939, de Chianca de Garcia) no papel da lavadeira Gracinda - o seu último filme aos 31 anos.Neste mesmo ano de 1939, Beatriz Costa aceitou novo convite para o Brasil (dada a sua enorme popularidade) para uma temporada que se prolongou por 10 anos (de 1939 a 1949), a que chamou "os melhores anos da sua vida". Quase sempre actuou no Casino de Urca, no Rio, desde os tempos do "Tiro-Liro-Liro" (um dos seus mais lendários êxitos) até ao final da década, altura do seu único casamento em 1947, com Edmundo Gregorian (poeta, escritor, escultor), de quem se divorciou dois anos depois. Em 1949, Beatriz voltou aos palcos de Lisboa para uma revista no "Avenida", cujo título diz tudo sobre o mito que continuava a ser: "Ela aí está!". E, aos 41 anos, repetiu os êxitos de há 20 anos atrás.Ainda apareceu em Lisboa em revistas de sucesso como "Com Jeito Vai", mas em 60 despediu-se dos palcos em "Está Bonita a Brincadeira" e decidiu que nunca mais.A partir desta altura começa a dedicar-se às viagens por todo o mundo, assistindo a todos os festivais de teatro, de Ocidente a Oriente, e conheceu personalidades como Salvador Dali, Pablo Picasso, Greta Garbo, Edith Piaf ou o Rei Hassan II de Marrocos.Depois do 25 de Abril - quando já vivia no Hotel Tivoli, onde viveu até morrer - começou a publicar livros sobre a sua espantosa vida (já anteriormente a " publicara" em vários capítulos nas "Páginas das Minhas Memórias" nos anos 30), aconselhada e incentivada por Tomás Ribeiro Colaço. De notar que não sabia escrever até aos 13 anos, mas aprendeu sozinha seguindo a sua ambição de saber (a sua alfabetização começou à mesa da "Brasileira" rodeada por homens como Almada Negreiros, Gualdino Gomes, Aquilino Ribeiro, Vitorino Nemésio entre outros.).
Após o seu reaparecimento num espectáculo da Casa da Imprensa que decorreu no Coliseu foi sistematicamente solicitada pelos órgãos de comunicação social e espantou-se com as óptimas reacções do público leitor em relação a essa outra faceta da sua vida - escrever.Em 1977 é editado pela Emi-Valentim de Carvalho um álbum que compila vários dos seus sucessos musicais e que em 1996 seria reeditado com o título "Grande Marcha de Lisboa" na Colecção Caravela da mesma editora.Apesar das muitas propostas para regressar aos palcos (por Vasco Morgado) preferiu ficar longe deles por considerar o teatro de revista muito diferente do que era, por "estar decadente". Muitos foram também os convites para programas de televisão (por Joaquim Letria) e, de facto, viria a participar como membro de júri no concurso "Prata da Casa" apresentado por Fialho Gouveia e que visava lançar jovens no mundo do espectáculo. Um grupo de jovens chegaria mesmo a propôr a sua candidatura simbólica nas eleições presidenciais de 85 como meio de comemorar O Ano Internacional da Juventude do ano seguinte.Morreu dia 15 de Abril de 1996, aos 88 anos com a serenidade que os deuses deviam conceder sempre a quem propagou alegria à sua volta.

FÁTIMA EM DIRECTO NA INTERNET


Imagens são recolhidas na Capelinha das Aparições
O Santuário de Fátima está a transmitir desde quarta-feira em directo pela Internet imagens a partir da Capelinha das Aparições, iniciativa que pretende responder aos «pedidos que os internautas fizeram chegar nos últimos anos» à instituição.
«Desde há vários anos a esta parte que chegavam ao santuário mensagens, em especial via Internet, de pessoas devotas de Nossa Senhora de Fátima a solicitar que se possibilitasse a quem está mais longe uma imagem em directo do santuário», explicou esta sexta-feira à agência Lusa a responsável do Centro de Comunicação Social (CCS) do templo, Leopoldina Simões.Segundo Leopoldina Simões, «praticamente todas as mensagens focavam que as pessoas gostavam de ver a imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, permanentemente na Capelinha das Aparições». Ora, «é precisamente a imagem de Nossa Senhora que a câmara mostra», acrescentou a responsável.
Por outro lado, Leopoldina Simões sublinhou que o objectivo passa também por «colocar todos aqueles que o pretendam mais próximos, ainda que virtualmente», do «coração do santuário», a capelinha.
Lembrando que a Internet é um meio de «evangelização», a responsável reconheceu que as suas potencialidades «são crescentemente usadas», também «para a divulgação da mensagem» de Fátima.
A responsável pelo CCS admitiu ainda que, após as transmissões das celebrações através da rádio e da televisão, faltava ao santuário «dar este pequeno passo», que permite ver, 24 horas por dia, a capelinha e as várias celebrações que aí são realizadas.
700 mil visitantes
Segundo o Santuário de Fátima, em 2008, acederam à página da instituição na Internet 700 mil visitantes, que «clicaram» 4,5 milhões de vezes no site. O arquivo multimédia foi o mais procurado. Dos 700 mil visitantes, «cerca de 30 por cento são de Portugal», seguindo-se os do Brasil (22 por cento). «Cinquenta por cento dos visitantes são de Língua Portuguesa», destacou Leopoldina Simões. Poderá aceder através: http://www.portugalmusica.com.pt/ este ano ocorreram nos dias 12 e 13 de Maio, data da primeira grande peregrinação ao santuário. No dia 12, há o registo de 6.200 visitantes no sítio, enquanto no dia 13 esse número foi de 14.200.

domingo, 28 de dezembro de 2008

NOVO CD DE TONY CARREIRA


Considerado pelos fãs como «o maior ícone da música romântica portuguesa», Tony Carreira está de regresso aos discos com «O Homem Que Sou», o 14º álbum de estúdio que já chegou às lojas.O novo trabalho é composto por 14 temas e, logo ao primeiro, o cantor responde às acusações de plágio de que foi alvo há uns meses. Em «Deixem-me Cantar», Tony Carreira diz: «Não são palavras que o tempo desfaz/iguais àquelas que li nos jornais/que me amordaça o peito/e me tiram o brilho nos olhos».A faixa de abertura, Tony fala de «mentiras que alguém inventou/de quem deseja e nunca lá chegou» e deixa a promessa de continuar a cantar para quem o ama, sem nunca desistir.Recorde-se que em Agosto foi tornado público na imprensa que Tony Carreira era suspeito de plagiar várias canções de autores estrangeiros, nomeadamente «Después de Ti Qué?», um original do mexicano Rudy Perez.Polémicas à parte, o novo disco do cantor romântico é apresentado pelo single «Porque É Que Vens» e conta também com um dueto entre Tony Carreira e o italiano Toto Cutogno em «A Cantar».O disco está disponível em dois formatos, uma versão CD+DVD e outra limitada e especial para os fãs: uma caixa metálica que inclui o disco, três postais autografados e uma t-shirt.

domingo, 30 de novembro de 2008

Filme "Amália" estreia ainda este ano


A vida da diva do fado Amália Rodrigues vai ser adaptada ao cinema numa biografia que pretende "reflectir a força de um mito", disse à agência Lusa o produtor Manuel da Fonseca, da Valentim de Carvalho Filmes.
Manuel da Fonseca acaba de chegar de Cannes, onde esteve a apresentar o projecto da longa-metragem no Festival Internacional de Cinema, acompanhado pela actriz Sandra Barata Belo, que irá encarnar o papel da fadista na longa-metragem "Amália".
O filme, uma biografia ficcionada, terá realização de Carlos Coelho da Silva, o mesmo que rodou "O crime do Padre Amaro", argumento de Pedro Marta Santos e do escritor João Tordo e deverá chegar aos cinemas portugueses no final deste ano.
A rodagem decorrerá sobretudo em Lisboa - uma cidade que "é um fantástico décor", disse Manuel da Fonseca - a partir de 9 de Junho.
A produção ficará a cargo da Valentim de Carvalho Filmes e da RTP, que irá transmitir posteriormente o filme num formato de série com dois episódios.
O orçamento, que ronda os cerca de três milhões de euros, é suportado em grande parte por investidores privados, sem o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual.
"Amália é uma figura universal e tem um estatuto que ultrapassa as fronteiras portuguesas, está editada em todo o mundo e o fado é hoje um género de valor muito importante, que se encaixa na world music", justificou Manuel da Fonseca.
A este argumento, o produtor junta ainda o facto da fadista ser "um dos mais ricos patrimónios da Valentim de Carvalho", editora pela qual lançou os seus discos.
De acordo com Manuel da Fonseca, será apenas Sandra Barata Belo a interpretar Amália no filme desde a juventude até à idade adulta.
Amália Rodrigues morreu a 6 de Outubro de 1999.

sábado, 8 de novembro de 2008

Morreu Milu - A primeira diva do cinema português faleceu esta madrugada


Maria de Lurdes de Almeida Lemos, conhecida sob o nome artístico Milu, morreu esta madrugada, no Hospital de Cascais. Aos 82 anos, aquela que foi considerada a primeira diva do cinema português, não terá resistido a uma infecção pulmonar. 
Desde criança que sonhava com o mundo do espectáculo e, aos 16 anos, depois de já ter concretizado o desejo de cantar na rádio, estreou-se em cinema com o papel principal no filme O Costa do Castelo. A partir daí foram só sucessos, tendo a sua carreira atingido o auge nas décadas de 40 e 50.
Em Maio do ano passado, a artista foi homenageada pelo seu trabalho no mundo do cinema e, inclusivamente, condecorada pela Ordem Militar de Santiago e Espada, distinção que lhe foi entregue pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.“Sinto-me feliz, porque fui alguém nesta terra e queria ter sido ainda mais”, confessou a actriz na altura.
Milu deixa-nos filmes como A Menina da RádioO Grande Elias ou KilasO Mau da Fita, e canções como A minha casinha, Lisboa à Noite e Cantigas da Rua.
O funeral realizar-se-á amanhã, por volta das 16 horas, altura em que o corpo sairá da Igreja São João do Estoril em direcção ao cemitério da Galiza.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Fernando Meirelles filma Saramago


O realizador brasileiro Fernando Meirelles, autor do filme Cidade de Deus, vai adaptar ao cinema o romance de José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira.

A ideia para esta adaptação vem de longe, de 1997, quando Fernando Meirelles, então ainda um realizador praticamente desconhecido, tentou comprar os direitos de Ensaio Sobre a Cegueira (escrito em 1995). Na altura, segundo conta a Folha de São Paulo, Saramago não aceitou, argumentando que não teria muito sentido transformar em imagens uma história sobre a cegueira. Anos depois, o escritor acabou por vender os direitos à produtora canadiana Rhombus Media e, ironia do destino, caberá a Meirelles a direcção de Blindness - assim se irá chamar o filme falado em inglês.

"Voltou para as minhas mãos", comentou o realizador na apresentada oficial do filme, no Festival de Toronto. Trata-se de uma co-produção entre o Brasil (O2, a produtora de Meirelles), Canadá, Reino Unido e Japão. Niv Fichman, produtor do lado canadiano, contou que o escritor português foi seduzido pela ideia de se tratar de uma co-produção internacional, sem uma "voz dominante", além de uma promessa de que o filme não cairia nas mãos de um grande estúdio de Hollywood, relata a Folha.

A primeira versão do argumento, pronta há já dois anos, é assinada pelo guionista, actor e realizador canadiano Don McKellar, que não se deixou intimidar pela prosa do escritor nobelizado: "A acção do livro é muito simples e clara. A linguagem é muito oral", disse. "Se eu apenas recontar a história, transformando os cegos em zombies, o filme será um erro, parecerá um filme de terror. Isto não seria fiel à obra. O tem essencial do livro é a dignidade humana e como, na nossa sociedade, os artifícios para mantê-la são frágeis.

"O elenco de Blindness ainda não foi escolhido mas já se sabe que o filme vai custar 20 milhões de dólares (15,7 milhões de euros). A rodagem decorrerá no próximo ano nos arredores de Toronto e São Paulo e a estreia está prevista para 2008.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Camacho Costa inspira artistas medíocres

O actor Camacho Costa que, recentemente, foi alvo das atenções da comunicação social ao anunciar ao mundo que lutava contra um cancro, tem servido de inspiração para outros artistas medíocres, dando palestras de Norte a Sul do país em que explica aos colegas como podem seguir o seu exemplo e conseguir uma projecção nunca antes alcançada.
Aos 57 anos, o ponto mais alto da carreira de Camacho Costa como actor foi a sua participação na série de "humor" "Malucos do Riso", transmitida pela SIC, desempenhando papéis inesquecíveis tais como: aquele homenzinho estranho que tem um supermercado e atende os clientes com rimas, aquele homenzinho estranho que faz de cigano num tribunal ou ainda aquele homenzinho estranho sentado debaixo de um sobreiro a falar com pronúncia do Alentejo. Para além disso, foram várias as participações em revistas à portuguesa e em algumas peças de "teatro de autor" em que era necessário um actor para interpretar um homenzinho estranho. Também trabalhou como crítico de cinema e chegou a limpar o rabo com folhas de alface ao primeiro-ministro Vasco Gonçalves uma ou outra vez. O seu imenso curriculum é sobejamente conhecido por todos nos dias que correm. E porquê? Porque, no preciso momento, em que o actor tornou pública a doença que infelizmente o aflige, deu início a uma insuportável onda de piedadezinha asquerosa que o visado aproveitou em seu benefício como se fosse a coisa mais normal do mundo tratarem-no de "grande figura do teatro nacional" para cima. Seguiram-se as entrevistas, homenagens e até uma entrevista editada em livro.
E é precisamente este o tema das palestras que, brevemente, darão origem a um livro com o título "De nódoa a astro coitadinho-O método Camacho Costa". Não são apenas os aspirantes a homenzinhos irritantes com queixo proeminente, sem dentes e que tratam todas as pessoas do sexo feminino (e uma ou duas do sexo masculino) por "minha querida" que podem beneficiar as suas carreiras com este método revolucionário e já houve outros artistas mais ou menos famosos da nossa praça a pô-lo em prática. Ildeberto Beirão, colega de Camacho nos "Malucos do Riso", um ex-serralheiro com problemas de mau hálito e líbido exagerada, anunciou ao mundo que padecia de uma forma potencialmente letal de sífilis e, quinze dias depois, a Câmara Municipal da Moita inaugurava um parque infantil com o seu nome naquela pitoresca localidade ribeirinha. "Desde que comecei a usar o método Camacho Costa, a minha carreira tem evoluído muito," afirmou Ildeberto entre arrotos.
Outros nomes do mundo do espectáculo que já recorreram a este método infalível foram o cantor Vítor Espadinha, o humorista Badaró e o multifacetado imitador de vozes Fernando Pereira que, desde que revelou ao mundo ser hermafrodita, conseguiu ressuscitar a sua carreira. Também o outrora popular Avô Cantigas admite ser um seguidor do método, referindo que "se não tivesse dotado a personagem de um cancro da próstata fictício, há muito que teria pendurado a peruca." Num futuro próximo, Camacho Costa planeia abrir um instituto para instruir artistas na aplicação do seu método. O ICCTPM (Instituto Camacho Costa Tenham Peninha de Mim) será alojado numa ala do palácio de São Bento gentilmente cedida pelo governo como prova da gratidão de todo um país pelos bons momentos que Camacho Costa nos deu ao longo de anos infindáveis. A inauguração está prevista para Abril, mês dedicado a Camacho Costa em todo o país com homenagens, fogo de artifício e colóquios sobre o actor. Simultaneamente, será lançada uma colecção de miniaturas representando as personagens mais populares de Camacho Costa nos "Malucos do Riso" esculpidas em massapão comestível.